5 motivos para você NÃO querer um Investidor

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5 motivos para você NÃO querer um Investidor

Esse post foi motivado pelo excesso de empreendedores que encontro no dia a dia que apresentam uma forte tendência de focar esforços na atração de investidores e que, na minha opinião, foge das reais necessidades de se desenvolver um negócio.

Para expor o tema, elenquei os 5 motivos que acredito serem armadilhas que você, como empreendedor, não pode cair!

 

1. Dinheiro na Mão é Vendaval

 

O Paulinho da Viola foi corretíssimo nessa afirmação. Ontem mesmo tivemos uma palestra na Casa LUZ onde foi apresentado o case de uma empresa que investiu mais de R$ 400.000,00 e não conseguiu botar o produto no mercado. “Mas por que eles investiram tanto?!”, você pode estar pensando. Eles investiram porque eles tinham para investir. Essa é a natureza do homem. E mais, o dinheiro fez com que eles se atropelassem, contratando um monte de pessoas, oficializando a estrutura que estava no seu plano de negócios, comprando infraestrutura que teriam que gerenciar, tirando totalmente o que deveria ser o foco. Segundo ele mesmo:

 

“Gastamos muito tempo gerenciando uma empresa que não existia ao invés de investir tempo entendendo o nosso cliente, que é o mais importante.”

 

Ou seja, o dinheiro no início foi prejudicial à empresa!! (Sim, leia a frase de novo)

 

2. Conforto (muito) perigoso

 

É comum que os empreendedores assumam uma postura de “oba oba” quando conseguem um investidor. Afinal, eles estão com muitos meses de pró-labore garantidos, a estrutura está paga e, o mais delicado: os empreendedores acreditam que o crivo de investidores (dinheiro de editais, sucesso na incubação da empresa, entre outros) são a garantia de sucesso do seu negócio. Acredite: o investidor está apostando no seu negócio, ele não sabe se vai dar certo ou não. Na verdade ele provavelmente entende muito pouco do seu mercado e seleciona empresas utilizando métodos ultrapassados (ex: plano de negócio), que na nossa opinião pioram ainda mais a situação e diluem o risco investindo em diversas empresas. Se uma empresa de dez “bombar”, ele já recebe o retorno sobre investimento em todas as outras. E o que acontece com os outros 9 grupos de empreendedores?

 

Ou seja, lembre-se que receber um aporte não torna sua empresa mais ou menos lucrativa e nem garante que sua ideia se transformou em um modelo de negócios coerente que satisfaz uma demanda específica com um produto viável.

 

3. Casamento Precipitado

 

Há quanto tempo você conhece seu(s) sócio(s)? Você escolheu com carinho? Pensou no que cada um faria e como agregaria ao negócio? Já trabalhou/colaborou com eles antes? Seus sócios te conhecem? Sabem dos seus objetivos? Estão alinhados?

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E o investidor? …

 

O que ele pensa? Do que ele gosta? O que ele quer com seu negócio? E se em algum momento você precisar ficar mais tempo com sua família? Ele entenderá? Como influenciará na dinâmica da sociedade?

 

É inegável que eles trazem profissionalismo ao negócio, pois a partir do momento que investem dinheiro, querem retorno. É importante (e difícil) alinhar o que ele quer e como isso influencia no que os sócios-fundadores querem.

 

Resumo: conheça muito bem seu investidor pois você vai mais do que casar com ele, vocês dividirão o leme do barco.

 

4. Cobrança por crescimento irreal/errado

 

A história é quase sempre a mesma:

1. Você bota números bonitos na projeção financeira para impressionar o investidor. Ele finge que questiona, você finge que tem uma resposta boa e todos estão “alinhados” com a parceria.

2. Os números da planilha não se transformam em realidade, afinal preenchê-la com números redondos é mais fácil do que convencer alguém a te dar dinheiro pelo que você oferece – o investidor começa a ficar preocupado.

3. A pressão começa a cair em cima dos sócios. Cadê os resultados? Cadê os clientes? Onde estão os novos produtos? O e-commerce vai sair?!

4. Metade da equipe se desespera e a outra metade perde foco tentando acalmar o resto.

5. Rompimento de sociedade / Desmanche da empresa / Alguma outra consequencia ruim

Resumo da história: você provavelmente não conhece o ritmo de crescimento da sua empresa. Quanto ela valerá daqui a 3 meses? Quantos clientes você terá? Você conseguirá treinar sua equipe para acompanhar o crescimento? O que você está se propondo a fazer? É um crescimento plausível? O mais importante nos próximos meses é lucrar? O investidor sabe que os números podem ser 10 vezes menores? O que ele fará?

 

5. Afinal de contas, por que você empreende?

 

 

O que é sucesso para você?

 

A cada dia que passa acredito mais em negócios que possuem uma missão clara, um propósito, uma proposta de solução para um problema na sociedade. Você acha que as coisas incríveis no mundo foram feitas puramente por dinheiro? A lâmpada foi inventada para gerar dinheiro? E o iPad? O resultado financeiro nada mais é do que a comprovação de que você faz bem seu trabalho, não é o fim do trabalho em si.

 

Sem entrar nos méritos do sistema econômico e suas teorias (afinal esse seção chama-se “Inspire-se” e não “Complique-se”) e fazendo o link com o assunto do dia: por que você está procurando um investidor? Ele ajuda seu negócio a seguir trilhando seu rumo? Ele te ajudará a gerar ainda mais benefício para a sociedade e seus clientes ou só trás o dinheiro e pressão por resultados?

 

Você quer dizer que eu devo fechar as portas para qualquer investidor?

 

Não! Longe disso. Acreditamos que eles são parte importante da vida de algumas empresas, mas dois pontos devem estar claros:

 

1. Dinheiro para que?

 

É importante que fique você tenha claro entre toda a equipe aonde será investido o aporte. Quais iniciativas justificam a entrada dessa quantia de dinheiro na empresa?

Teste e comprove minimamente essas iniciativas. “Vamos investir no desenvolvimento do software” e “vamos desenvolver o módulo X do software que já teve suas características testadas a aprovadas e já tem 50 clientes pagando por sua versão Beta” são iniciativas bem diferentes.

 

2. Quem é esse cara?

 

Literalmente, quem é o investidor? Ele acredita nos valores da empresa? Ele acredita no mesmo futuro que vocês? Na direção que vocês estão tomando? Ele entende onde está entrando? Em suma, ele está alinhado?

Dica: esse ponto apareceu duas vezes no post e não foi à toa. Após justificar o aporte é muito importante que você se una com pessoas que te complementem e, infelizmente, não é num jantar que isso acontece, por mais que a gente queira.

 

E você, conhece algum case de sucesso ou insucesso com investidores que deseja compartilhar? Achou os pontos relevantes? Está procurando investidores e acha que seus planos futuros justificam esse aporte?

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Leandro Borges
Leandro começou a vida profissional prestando consultorias centenas de pequenas empresas em todo o Brasil e foi professor em instituições como SEBRAE, Vale, Souza Cruz, FIRJAN, COPPE e FGV. Hoje, é encantado pelas facilidades que o Excel traz para a gestão empresarial e quer levar essa maravilha para o Brasil e o Mundo!

9 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia Guilherme, Bom dia Luz Consultoria,
    Não me surpreende muito, mas é no mínimo estranho você (ou vocês da Luz Consultoria) serem fornecedores de uma instituição que desde 1994 possui vários casos de sucesso de startups de base tecnológica e que utiliza e continuará utilizando “Planos de Negócios”, pois da mesma forma não acreditamos que somente um modelo de “Lean Startup” pode suportar todos os tipos de negócios.
    Como você mesmo diz: o que é sucesso? – sucesso são mais de 50 empresas graduadas, 16 residentes, mais de 700 postos de trabalho altamente qualificados, pagamento de impostos de superam em muito os valores investidos na Incubadora nesses últimos anos.

    Boa sorte! Segue a transcrição que me deixou preocupado:
    “É comum que os empreendedores assumam uma postura de “oba oba” quando conseguem um investidor. Afinal, eles estão com muitos meses de pró-labore garantidos, a estrutura está paga e, o mais delicado: os empreendedores acreditam que o crivo de investidores (dinheiro de editais, sucesso na incubação da empresa, entre outros) são a garantia de sucesso do seu negócio. Acredite: o investidor está apostando no seu negócio, ele não sabe se vai dar certo ou não. Na verdade ele provavelmente entende muito pouco do seu mercado e seleciona empresas utilizando métodos ultrapassados (ex: plano de negócio), que na nossa opinião pioram ainda mais a situação e diluem o risco investindo em diversas empresas. Se uma empresa de dez “bombar”, ele já recebe o retorno sobre investimento em todas as outras. E o que acontece com os outros 9 grupos de empreendedores?”

  2. Olá Eduardo! Fico feliz com sua presença aqui no blog.

    A Incubadora de Empresas da COPPE é um grande case de sucesso. Inclusive temos que agradecer, pois é fonte de aprendizado e inspiração (como esse post) para os membros da LUZ.

    O que quis expressar nesse post e no trecho copiado, em especial, é que você passar em qualquer processo é apenas o início do próximo. Por exemplo: quando a gente passa no vestibular nós ainda não somos formados, certo? O mesmo acontece com empresas. Se você foi incubado, parabéns! Agora é hora de trabalhar PARA VALER.

    Com relação aos métodos de seleção e avaliação, a discussão é muito longa e depende muito do contexto no qual o investidor/incubadora/aceleradora está inserido, portanto acredito que só vale a pena “twittar” sobre o assunto: como você sabe o canvas do Osterwalder, lean start-up praticado à risca e muita execução aceleram o processo de aprendizagem da empresa, reduzem o tempo e recursos investidos para o produto chegar no mercado e, hoje, é o método que nós na LUZ mais gostamos. O desafio é levar isso para negócios não-digitais, principalmente a questão de escalabilidade.

    Vou ficar por aqui apesar de ficar muito tentado a continuar falando sobre isso! 🙂

    Forte abraço,

  3. Oi Guilherme,
    Concordo com você quando diz que uma idéia boa não precisa de muito dinheiro, e talvez quase nenhum, para se tornar um sucesso ou se mostrar viável, mas existe um tempo de desenvolvimento e gestação, durante o qual os empreendedores precisam se dedicar a colocar suas idéias em prática, neste meio tempo, quem paga as contas? E por contas me refiro aos gastos normais de qualquer pessoa, casa, comida, etc.
    Então, é preciso sim uma grana inicial para se dedicar a um empreendimento, ou no mínimo um emprego que lhe permita sustento e tempo para empreender em paralelo.

  4. Olá Carlos,

    Você está certíssimo. As opções são: investir dinheiro que você economizou com o tempo, se manter no emprego pelo menos no início (temos uma palestra aqui na Casa LUZ sobre isso, inclusive) ou procurar um investidor. O objetivo deste post é mostrar as armadilhas desta última opção, não dizer que eles não tem um papel crucial no desenvolvimento de novas empresas.

    Obrigado pela visita!

    Abs,

  5. Guilherme / Eduardo,

    Já me intrometendo no assunto, não vejo motivos para o canvas não ser utilizado em outros negócio diferentes dos web/digitais. O canvas é o melhor para startups, justamente porque é lean, condizendo com tamanha incerteza inicial. Posso dizer que perdi muito tempo apegado a um plano de negócios. Esse documento cria quase um vínculo emocional, dificultando o pivoteamento necessário na fase inicial. Só conseguimos andar quando recomeçamos, e se não tivesse feito BP tão cedo, teria pivotado antes. Plano de negócio pode ser útil quando as incertezas são menores e as diretrizes mais sólidas.

  6. Guilherme
    achei o comentario muito oportuno, só tenho a impressao que precisamos criar mais atores em todos esses papeis, sejam investidores,empreendedores,incubadoras entendo que a quantidade de atores é muito pequena e o tamanho de nossa economia muito grande, temos de criar mais cultura empreendedora,

    concordo com suas colocaçoes,
    abraço
    Geraldo

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