Cresce a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho

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Crédito: divulgação/iStock
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Tanto pela cultura da sociedade, quanto pelos efeitos da pandemia, a chamada shecession está se ampliando e impactando vida profissional das mulheres

Você já ouviu falar em shecession? O termo em inglês pode ser um tanto quanto estranho para algumas pessoas, mas o significado que carrega é amplamente conhecido na sociedade. Representa as dificuldades que as mulheres enfrentam no mercado de trabalho e que provocam a recessão feminina, índice bastante intensificado por conta da pandemia.

Dados levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), com análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), evidenciam que a situação das profissionais brasileiras está pior do que o nível registrado 30 anos atrás. 

Os números mostram que a taxa de participação feminina no mercado de trabalho, que era de 53,1% no quarto trimestre de 2019, caiu para 45,8% no terceiro trimestre de 2020. Desde 1991, o índice não ficava abaixo dos 50%. Esse resultado é bastante significativo e se mostra ainda mais crítico quando outros fatores são analisados.  

Entre a população em idade apta para o desempenho de funções (15 anos ou mais) que está trabalhando, em busca de emprego ou disponível para isso, as mulheres eram 54,5% em 2019, enquanto os homens eram 73,7%. Essa ampla diferença também se repete em outras comparações.

No desemprego, por exemplo, a taxa feminina ficou em 16,8% entre julho e setembro de 2020, o que representa o maior número de toda a série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. Para os homens, esse índice também foi o maior já registrado, mas ficou em 12,8%, ou seja, quatro pontos percentuais a menos do que para as mulheres.

Parte desses resultados pode ser explicada porque elas são a maioria no comércio e serviço e no trabalho doméstico – as profissões que sofreram o maior impacto por conta da pandemia. Entre o terceiro trimestre de 2019 e o mesmo período de 2020, o trabalho doméstico caiu 26,5%, enquanto serviços de alimentação e alojamento caíram 29,9%. 

Outro fator importante para a recessão feminina foi atestado pelo relatório global da consultoria McKinsey. De acordo com o estudo, no ano passado, as mulheres tinham 80% mais chances do que os homens de perderem o emprego. Isso acontece por conta do papel social que culturalmente é atribuído a elas, ou seja, a responsabilidade de cuidar das crianças, da casa e dos idosos, que tornou-se ainda mais necessário na pandemia. 

A pesquisa “Estatísticas de Gênero: Indicadores Sociais das Mulheres no Brasil”, realizada pelo IBGE, constata que há um impacto maior nas famílias que possuem crianças de até 3 anos. Apenas 54,6% das mulheres nesse caso trabalham, enquanto 67,2% das que não vivem sob essa condição conseguem trabalhar.

Esse cenário de shecession, que vai muito além da pandemia, mas está ainda mais evidenciado hoje, mostra o quão importante é o incentivo e a defesa de medidas sociais. Uma das alternativas que podem ser adotadas pelas empresas é a implementação de benefícios corporativos como o auxílio-creche, que aumenta o acesso das mulheres ao mercado de trabalho e diminui a desigualdade estrutural entre homens e mulheres.

E não são apenas elas que podem se beneficiar com isso. A diversidade de gênero é um fator essencial para as empresas, pois aumenta a criatividade, a produtividade e até mesmo os lucros. De acordo com a pesquisa “A diversidade como alavanca de performance” da McKinsey, empresas que investem na inclusão para as equipes executivas têm 21% mais chances de lucrar acima da média.

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