Game Mods: Cultura do Remix e Novos Produtos Milionários

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A Cultura do Remix é a atividade de modificar uma obra já publicada e criar uma coisa nova. Na internet, vemos isso acontecendo o tempo todo, com vídeos no youtube, memes sendo criados instantaneamente, que modificam de maneiras infinitas uma publicação inicial, etc. O que eu queria mostrar hoje é como esse lado de modificação de um produto por uma comunidade vem acontecendo na indústria dos games, onde a coisa toma proporções ainda maiores.

Na indústria dos jogos eletrônicos, muitos produtos vem previamente com o software preparado para ser modificado e trabalhado pelos usuários, permitindo a criação dos chamados “mods” (de modificar). Assim, um jogo que tenha essa possibilidade abre portas para a comunidade criar modificações de todos os tipos. Surgem modificações pequenas, desde a criação de novos mapas desenhados pelos jogadores, ou jogos novos, contando histórias diferentes ou contendo maneiras completamente diferentes de jogar com os mesmos elementos. É até bem comum pessoas que querem arrumar um emprego na indústria de jogos usarem seus trabalhos com mods como portfolio e isso é um ótimo diferencial. Em outros casos, alguns mods fazem sucesso absurdo e acabam virando cultos, e até gerando novos produtos com milhões de seguidores.

Counter-Strike

Se você esteve de alguma forma em contato com a indústria de videogames desde, digamos, 2002, provavelmente você já ouviu falar de Counter-Strike. Ou, como é mais chamado carinhosamente no Brasil, CS.

O jogo é um mod do título “Half-life”, que muita gente que joga CS nem jogou. O mod fez tanto sucesso que gerou campeonatos pelo mundo inteiro e marcou uma geração. Como você pode ver nesse infográfico sobre a Valve, a empresa criadora do Half-life, o CS foi depois comprado por ela, através da contratação da equipe que trabalhava no mod. Isso gerou a criação de novos produtos com o nome CS, a continuação do jogo, e a criação de uma franquia milionária – com certeza um dos jogos mais conhecidos e amados no mundo hoje.

DotA

dtoa

Defenders of the Ancient, ou “dota”, é um jogo feito com base em Warcraft III, da empresa americana Blizzard. DotA não só foi feito basicamente por uma pessoa e é mantido há mais de 10 anos, como tambem criou um novo gênero de jogos. O mod conseguiu uma comunidade gigantesca de jogadores apaixonados e gerou uma série de jogos baseados no estilo do jogo, que hoje são sucesso absoluto.

League of Legends, da empresa Riot Games, é um jogo extremamente parecido com DotA,  e foi considerado o jogo mais jogado do mundo, chegando a ter mais de 12 milhões de jogadores por dia (Wikipedia).  Recentemente, a Valve, mesma empresa do CS, contratou o desenvolvedor responsável pelo projeto do DotA para criar sua continuação, DotA 2. Este, apesar de nem ter sido oficialmente lançado ainda e estar em fase de testes aberta, já dizem ter superado League of Legends em jogadores nos Estados Unidos e na Europa.

Dá para imaginar que esse é um mercado milionário né? League of Legends e DotA 2 com certeza geram muito dinheiro para seus desenvolvedores, apesar de ambos serem de graça para jogar.

Por isso, a indústria de games é um grande exemplo do poder criativo das comunidades. Não só do que é possível quando uma empresa disponibiliza ferramentas para que o seu produto ou conteúdo seja alterado de várias maneiras, mas tambem para mostrar que um produto feito por alguem sem nenhuma infraestrutura ou nome no mercado, ainda baseado no trabalho de outros, pode ser tornar um grande sucesso e gerar frutos inesperados.

É assim hoje nos jogos eletrônicos com muita presença, e acontece cada vez mais em outras indústrias tambem. Vale a pena ficar de olho em como a comunidade pode ajudar o seu produto, ou como você pode usar suas ideias em conjunto com uma plataforma criada por outras empresas, para criar algo incrível a partir dela.

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Daniel Pereira
Daniel trabalha com gestão empresarial desde 2002, quando começou sua carreira na Incubadora da PUC-Rio. Com passagens pela IBM e Assespro-RJ, sempre esteve ligado a novas tecnologias e modelos de negócios. Daniel é o fundador e CEO da LUZ.

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