Aprenda a fazer análise de riscos com o método William T. Fine

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Nesse artigo falaremos sobre:

Tipos de Riscos

Quando estamos falando de análise de riscos, o nosso primeiro desafio é entender quais são os principais problemas que podem ocorrer no nosso ambiente de trabalho e para isso vale a pena ver quais são os principais tipos de riscos que existem:

  • Riscos gerenciais – problemas advindos da má tomada de decisão, seja por falta de embasamento/conhecimento, pouca experiência gerencial ou erro de julgamento
  • Riscos de acidente – normalmente relacionados a segurança do ambiente de trabalho ou operação de máquinas e quipamentos. Podem ser desde entorces até acidentes mais graves com consequências físicas para o profissional em questão
  • Riscos químicos/biológicos – problemas com partículas, aerossóis, gases, vapores, poeiras, fumaça, etc que podem ocasionar danos à saúde
  • Riscos ergonômicos – normalmente relacionados a execução das atividades laborais e vão desde movimentos repetitivos e transporte manual de cargas pesadas até postura inadequada e imposição de ritmos excessivos
  • Riscos físicos – estão ligados ao ambiente de trabalho em si e incluem ruídos, iluminação ruim, excesso de vibrações e ambiente térmico desconfortável.

Dependendo do ambiente laboral da sua empresa, um tipo ou outro de risco pode ser mais relevante, mas o que importa mesmo, na prática, é que você consiga mensurar quais são os riscos mais importantes e, a partir dessa mensuração, que consiga decidir onde realizar investimentos de prevenção de riscos, seja esse um investimento financeiro ou de esforço preventivo.

Como fazer análise de riscos

De maneira geral a análise de riscos é feita levando em consideração dois fatores principais

  • Probabilidade
  • Impacto

Basicamente você deve analisar a chance de um risco acontecer (probabilidade) e quanto esse risco vai influenciar na sua empresa se de fato ele acontecer (impacto). Esse conceito fica mais fácil de se visualizar em uma matriz de riscos:

Gerenciamento de riscos com matriz de riscos - matriz de riscos

Veja que para cada risco você deve dizer se a probabilidade é rara, baixa, média, alta ou praticamente certa de acontecer e, no caso do impacto, se não terá impacto, se ele será leve, médio, grave ou gravíssimo. Dependendo dos pesos utilizados para cada resposta você terá uma nota final para o seu risco.

Supondo que eu tenha 3 riscos diferentes e utilize pesos de 1 a 5 para cada uma dessas respostas, eu teria o seguinte cenário:

  • Risco 1 – Probabilidade Alta (4) x Impacto Leve (2) = 8 – Risco Elevado
  • Risco 2 – Probabilidade Raro (1) x Impacto Leve (2) = 2 – Risco Baixo
  • Risco 3 – Probabilidade Média (3) x Impacto Grave (4) = 12 – Risco Extremo

Dessa forma, ao invés de ter que avaliar subjetivamente qual risco tratar primeiro, você tem uma mensuração clara de em qual risco atuar primeiro de forma bem simples e objetiva. Eu falei um pouco mais sobre a matriz de riscos em um artigo sobre como fazer o gerenciamento de riscos em projetos. Agora, esse método, por mais interessante que seja, esquece de um fator primordial.

Como o Método William T. Fine pode ajudar ainda mais

Se a gente só levasse em consideração as variáveis de probabilidade e impacto estaria esquecendo de um dos fatores mais importantes para qualquer negócio, que é o dinheiro e o quanto custa pare resolver cada um desses riscos. É justamente levando em consideração essa variável extra que o método William T. Fine entra.

Nessa metodologia existem duas variáveis primordiais:

  • Grau de Criticidade – que é uma espécie de matriz de risco que leva em consideração 3 variáveis: consequência (similar ao impacto), exposição ao risco (que é a frequência que o risco costuma se manifestar) e probabilidade.
  • Justificativa de Investimento – leva em consideração o grau de criticidade em comparação com o fator de custo (que analisa o valor a ser investido) e o grau de correção (que demonstra o quanto do risco será corrigido de fato)

Para não ficar muito geral vamos ver exatamente como funciona essa metodologia.

Análise de Riscos pelo Método William T. Fine

Como eu falei, o método William T. Fine tem duas variáveis principais que precisarão ser calculadas. Vamos ver exatamente como fazer isso:

1. Grau de Criticidade

Fator Consequência – Determine o nível de consequência caso o risco / problema ocorra:

  • Catastrófico quebra da atividade fim da empresa – 100
  • Severo – Prejuízos – 50
  • Grave – 25
  • Moderado – 15
  • Leve – 5
  • Nenhum – Pequeno impacto – 1

Fator Exposição ao Risco – Determine a frequência com que esse risco / problema ocorre ou pode ocorrer:

  • Várias vezes ao dia – 10
  • Uma vez ao dia, frequentemente. – 5
  • Uma vez por semana ou ao mês, ocasionalmente. – 3
  • Uma vez ao ano ou ao mês, irregularmente. – 2
  • Raramente possível, sabe-se que ocorre, mas não com frequência – 1
  • Remotamente possível, não sabe se já ocorreu – 0,5

Fator Probabilidade – Determine a chance do risco / problema ocorrer

  • Espera-se que aconteça – 10
  • Completamente possível – 50% de chance – 6
  • Coincidência se acontecer – 3
  • Coincidência remota – 1
  • Extremamente remota, porém possível – 0,5
  • Praticamente impossível, uma chance em um milhão – 0,1

Agora é só multiplicar os valores das variáveis escolhidas que você terá o seu GC – Grau de Criticidade. De acordo com a resposta do GC, você terá um indicador de tratamento de risco, que funciona dessa forma:

  • GC maior e igual a 200 – Correção imediata – risco tem que ser reduzido
  • GC menor que 200 e maior que 85 – Correção urgente – requer atenção
  • GC menor que 85 – Risco deve ser monitorado

Em um exemplo simples, se tivermos:

  • Fator Consequência – Severo – Prejuízos (50)
  • Fator Exposição ao Risco – Uma vez por semana ou ao mês, ocasionalmente (3)
  • Fator Probabilidade – Coincidência Remota (1)

O grau de criticidade seria de 50 x 3 x 1 = 150, que indicaria um tratamento de risco urgente com necessidade de atenção.

2. Justificativa do Investimento

Até agora, tivemos um cenário similar ao da matriz de riscos, mas é exatamente nesse momento que o método William T. Fine ajuda na questão financeira. A Justificativa de Investimento é calculada pela fórmula:

  • JI = GC / (Fator de Custo x Grau de Correção)

Mais uma vez, vamos entrar no cálculo dessas variáveis:

Fator Custo – é uma valoração de quanto custaria para prevenir o risco de acontecer. (observe que a gradação é feita em dólar, então se a sua solução for em reais, adapte com o câmbio da época)

  • Maior que $50.000 – 10
  • Entre $25.000 e $50.000 – 6
  • Entre $10.000 e $25.000 – 4
  • Entre $1.000 e $10.000 – 3
  • Entre $100 e $1.000 – 2
  • Entre $25 e $100 – 1
  • Menos que $25 – 0,5

Grau de Correção – Indica o quanto do risco será eliminado

  • Risco eliminado – 100% – 6
  • Risco Reduzido – 75% – 4
  • Risco Reduzido entre 50% e 75% – 3
  • Risco Reduzido entre 25% e 50% – 2
  • Risco Reduzido menor que 25% – 1

Ainda no nosso exemplo que teve GC = 150, se tivéssemos que fazer um investimento de R$30.000 que fizesse com que o nosso risco fosse consideravelmente reduzido (em até 75%), teríamos a seguinte justificativa de investimento:

  • JI = 150 / (3 x 4) = 150 / 12 = 12,5

Agora chega uma das partes mais interessantes, a sua justificativa de investimento precisa ser plotada em uma escala de valoração que tem 3 respostas possíveis:

  • IJ menor que 10 – investimento duvidoso
  • IJ entre 10 e 20 – investimento normalmente justificado
  • IJ maior que 20 – investimento totalmente justificado

No nosso caso ficamos no meio, com um investimento que é justificado. Agora, você não pode se basear única e exclusivamente em um risco, é necessário analisar todos os riscos da sua empresa. No exemplo abaixo, temos uma lista de diversos riscos, já com o GC e a valoração do IJ feitos automaticamente na nossa planilha de análise de riscos:

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