Da Diferença Entre Criar um Novo Mundo e Melhorar o Mundo Atual

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Dentro do movimento “do bem” que estamos vivenciando, parece haver um consenso sobre o FIM, porém ainda temos muito a discutir sobre os MEIOS. Na maioria das vezes, esse confronto é evitado pelo medo de criarmos uma nova cisão – que, diga-se de passagem, nunca existiu – entre os supostos: bem e mal. De todo modo, defendo a sua importância já que todas as maiores atrocidades da história também foram feitas em nome do bem e de um mundo melhor.

Então, qual seria a diferença essencial entre criar um mundo novo e melhorar o atual?

 

Em primeiro lugar, falar em criar um mundo novo implica que existe um mundo ideal e, eu diria, idealizado, totalmente distinto da “porcaria” na qual ele se encontra hoje. É uma visão não de continuidade, mas de mudanças ditas “disruptivas”. Do outro lado, melhorar o mundo atual é uma visão “de dentro” na qual você se coloca como agente participante de uma mudança que vai ocorrer de maneira bastante prática e gradual.

 

Legal, mas e dai?

 

E dai que os criadores de um mundo novo tendem a se enquadrar, automaticamente, no grupo das “pessoas do bem”. Agem como se fossem seres imaculados e semi-divinos que desconhecem e negam qualquer comportamento ou sentimento taxado com “do mal”. Tipicamente, são aquelas pessoas que falam que isto ou aquilo foi causado por “ELES”, embora nunca fique claro quem, afinal de contas, seriam “ELES”. Seria o governo? Pessoas incorrigivelmente maldosas? Pouco importa. Só importam que são outras pessoas ruins que fizeram o mundo como está e que se elas tivessem uma chance de liderar, nós viveríamos no paraíso.

Já aqueles que querem melhorar o mundo não negam a natureza complexa e imprevisível da vida e conseguem ser empáticos e tolerantes com as falhas que enxergam nos outros. Sabem que a distância delas para um mendigo ou um ladrão é bem menor do que gostaríamos de aceitar em nosso íntimo e, por essa razão, estão mais propensas a estender a mão e dar o voto de confiança que todos precisamos dar para mudar a nossa relação como uma sociedade. Tal qual o padre que ajuda Jean Valjean em Os Miseráveis.

 

Para finalizar, gostaria de convidá-los a questionarem a premissa de que a maioria dos líderes, até o momento, foram pessoas burras, mesquinhas e egoístas. Refutem, por um segundo, a idéia de que os bons nunca tiveram vez e encarem de frente o fato: o que precisamos fazer JÁ que até agora nós fizemos o nosso melhor. O que precisa mudar apesar das lideranças locais e mundiais já serem as pessoas mais preparadas e já estarem buscando o bem coletivo?

Ou seja, vamos aceitar a hipótese que de o mundo ideal que deveria ser criado já está aqui e vamos pensar em maneiras não idealizadas de melhorá-lo. Vamos pensar no todo, mas mudar nossa atitude nos pequenos tratos, na compaixão com a ansiedade do motorista ao lado ou com um perfeito estranho precisando de ajuda. Fazendo a ponte do geral para o particular. Sempre.

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Leandro Borges
Leandro começou a vida profissional prestando consultorias centenas de pequenas empresas em todo o Brasil e foi professor em instituições como SEBRAE, Vale, Souza Cruz, FIRJAN, COPPE e FGV. Hoje, é encantado pelas facilidades que o Excel traz para a gestão empresarial e quer levar essa maravilha para o Brasil e o Mundo!

6 COMENTÁRIOS

  1. Fala Marcelo!

    Exatamente, existem muitas iniciativas que na superfície parecem ir em direção à inclusão, mas no fundo só segregam e aumentam o poço entre “classes”.

    Abraços!

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