Como Calcular Adicional de Periculosidade

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O que é Adicional de Periculosidade

O adicional de periculosidade é uma compensação financeira (no valor de 30% do salário base sem benefícios) dada para trabalhadores que estão expostos a algum tipo de atividade que oferece perigo ou risco de vida durante o exercício de suas funções. Esse direito do trabalhador está previsto na Norma Regulamentadora 16 (NR-16), do Ministério do Trabalho e Emprego.

Veja também: como calcular as horas extras dos colaboradores?

Basicamente, se o trabalhador tiver contato direto com substâncias inflamáveis, explosivas, energia elétrica ou radioativas ele terá direito a receber o adicional de periculosidade. Mais recentemente (desde 2012), algumas leis foram criadas ainda para incluir vigilantes, seguranças, o setor elétrico e motociclistas dentro do adicional de periculosidade.

Adicional de Periculosidade - Eletricista

Quem tem direito

Como falei aqui acima, existe um grupo de tipos de profissões já regulamentadas que tem direito ao adicional de periculosidade. Essas são as principais áreas de risco previstas na norma regulamentadora 16:

  • Atividades e operações perigosas com explosivos
  • Atividades e operações perigosas com inflamáveis
  • Atividades e operações perigosas com radiações ionizantes ou substâncias radiotivas
  • Atividades e operações perigosas com exposição a roubos ou violência física
  • Atividades e operações perigosas com energia elétrica
  • Atividades perigosas em motocicleta

Para saber se a sua atividade está enquadrada em alguma dessas acima é importante olhar as especificações na NR-16 caso a caso. Assim é possível identificar se sua empresa está realizando (ou não realizando) os pagamentos do adicional de periculosidade de maneira correta.

Um adendo importante é que em Maio de 2015 foi aprovado um Projeto de Lei (193/15) concedendo o adicional de periculosidade para profissionais de segurança pública de todo o país. Se enquadram nesse grupos a polícia federal, Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Ferroviária Federal, as polícias civis, as polícias militares e corpos de bombeiros militares. Existem até algumas charges como essa aqui debaixo brincando com o fato de ter demorado tanto tempo para essa concessão.

Adicional de Periculosidade - Charge

Como é feita a caracterização da Periculosidade

Entrando na especificação técnica da periculosidade, o artigo 195 da CLT diz que ela (assim como a insalubridade) será caracterizada através de perícia a cargo de um engenheiro do trabalho registrado no MTE. Caso exista alguma empresa ou sindicato interessado, a realização de uma perícia pode ser solicitada. Se esse pedido ocorrer judicialmente, caberá ao juiz nomear um perito.

Base de Cálculo do Adicional de Periculosidade

O adicional de periculosidade também faz parte dos cálculos da folha de pagamento e o gestor de recursos humanos precisa discriminar esse pagamento que incide sobre 30% do salário base do trabalhador sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações no lucro da empresa.

O pagamento do adicional de periculosidade só deverá ser feito enquanto o trabalhador estiver exposto ao perigo. Caso a tarefa executada deixe de apresentar um risco para o indivíduo em questão ou esse seja transferido para uma atividade sem risco, ele deixa de receber o adicional.

Diferentemente do Adicional de Insalubridade, o de Periculosidade não possui graus de perigo. Ou o trabalhador tem direito aos 30% ou não tem.

Como Calcular o Adicional de Periculosidade

Exemplo de Cálculo de Adicional de Periculosidade 1

Vamos ver um primeiro exemplo do cálculo sendo feito no salário de um motoboy:

  • Compensação Financeira (30%)
  • Base de cálculo em cima do salário base do empregado (R$2000)
  • Trabalhador foi admitido em 01/02/2015 e trabalhou até 30/03/2015
  • Período: 2 meses

Adicional de Periculosidade - Motociclista - Motoboy

Cada mês deverá ter um acréscimo salarial de 600, correspondente a 30% de R$2000 (salário base do nosso exemplo), totalizando R$1200 no período.

Exemplo de Cálculo de Adicional de Periculosidade 2

Agora vamos passar para um exemplo onde o trabalhador (eletricista) recebeu benefícios da empresa onde atua:

  • Compensação Financeira (30%)
  • Base de cálculo em cima do salário base do empregado (R$3000)
  • Trabalhador foi admitido em 01/03/2015 e trabalhou até 30/06/2015
  • Período: 3 meses
  • Bônus por desempenho mensal: R$500

Nesse caso, esse trabalhador deverá ter um acréscimo do salário de R$900 para cada mês em que estiver trabalhando. Esse valor correspondente a 30% de R$3000 (salário base do segundo exemplo), totalizando R$2700 no período correspondente.

Insalubridade e Periculosidade simultâneas

Quando estamos falando sobre Periculosidade pode surgir uma dúvida comum que é referente ao direito de receber por insalubridade e periculosidade ao mesmo tempo. É importante entender que esses adicionais não são cumulativos, cabendo ao trabalhador optar pelo item que lhe for mais favorável.

Adicional de Insalubridade - Diferenças entre insalubridade e periculosidade

Vamos ver um último exemplo. Supondo que eu sou um trabalhador que tenho a seguinte situação:

  • Salário Base: R$600
  • Adicional de Insalubridade de grau Médio (sobre salário mínimo)
  • Adicional de Periculosidade

Qual adicional eu deveria escolher? Para saber, só fazendo as contas:

  • Adicional de Insalubridade

20% de R$788 = R$157,60

  • Adicional de Periculosidade

30% de R$600 = R$180

Então nesse caso, seria mais inteligente optar pelo adicional de perciculosidade, mas lembre-se que cada caso é um caso que podem facilmente mudar de acordo com o grau de insalubridade e a incidência no salário mínimo, bruto ou total de rendimentos.

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Rafael Ávila
Administrador e turismólogo, apaixonado pelas possibilidades que o Excel dá para gestores, empreendedores e estudantes. É sócio diretor da área de planilhas na LUZ - Planilhas Empresariais (luz.vc) e é o responsável pelo desenvolvimento das mais de 150 planilhas com foco empresarial e pessoal comercializadas em seu site. Também ministra os cursos online de Excel (cursos.luz.vc) e gosta de ajudar milhares de planilheiros por meio do Fórum e Blog da LUZ.

19 COMENTÁRIOS

  1. Bom dia. Uma dúvida que eu teria é referente a atividade que não se mantém cotidianas e como se iria ser inserido o cálculo de periculosidade. Um exemplo é um trabalhador que não fica exposto a tais riscos todos os dias, apenas quando vai no cliente.

    • Oi Reginaldo, acredito que seja importante seguir alguns passos. O primeiro é o de se formalizar e trabalhar com carteira assinada. Além desse passo, entender quais adicionais incidem sobre os valores que você recebe pode te ajudar a entender melhor os cálculos que te mostraram.

  2. Desculpe a minha franqueza, se não possui a habilitação de um perito como poderia estar passando uma informação tão importante aos seus leitores sobre o assunto? Há conflitos jurisprudenciais que precisam ser analisados por um perito (Engenheiro de Segurança e ou médico do trabalho) para dar esse entendimento. Não é possível esse entendimento por pesquisa no google.

    • Oi Luiz Antônio, entendo a sua franqueza e preocupação, mas nosso objetivo aqui no blog é juntar informações importantes sobre um determinado assunto para fazer com que nossos leitores tenham um esclarecimento maior sobre ele. Nesse caso, o cálculo de adicional de periculosidade. Contudo, não achamos (e não falamos em nenhum momento) que essas informações são suficientes por si só para qualquer um e que isso substitui profissionais da área, muito pelo contrário, na maioria dos comentários em que se faz necessário, nesse e em outros posts mais específicos, indicamos o contato e contratação de profissionais habilitados para sanar todas as dúvidas.

  3. Boa boite, trabalho em uma empresa de elétrica, sou ajudante de eletricista, os funcionários mais antigos recebem o adicional de periculosidade, e eu não! O que devo fazer?

  4. Trabalho na área de Eletricidade (Eletrotécnica, Eletrônica, Elétrica, Eletricista) desde 1995, em vários cargos/funções tais como: meio oficial de eletricista, eletricista de manutenção predial, eletricista de manutenção industrial, eletricista instalador e montador, eletricista de força e controle, técnico em eletrotécnica, elétrica, eletricidade, manutenção elétrica, técnico em eletrônica, atuando com redes de distribuição de energia elétrica de 12, 24, 32, 48, 127, 220, 380, 480, 2400, 4200 e 13.800 Volts operando, montando, instalando, operando, reparando, consertando, em subestações, cabines primárias de média tensão/voltagens, painéis de força e comando/controle, quadros de distribuição de iluminação e força, alternadores, motores de partida/arranque,motores elétricos, motores de combustão interna (gasolina, dieses e gnv) geradores, transformadores de força e potência, chaves seccionadoras, relés, disjuntores, contatores, máquinas operatrizes, automóveis, máquinas de solda, caldeiras, ar condicionado central e industrial, refrigeração central e industrial, câmaras frigoríficas, compressores de ar comprimido, plantas de destilação de derivados de petróleo, estaleiros/naval, fábricas (indústrias), aeroportos, edifícios, trabalhei em turnos e extra turnos em horários de 19 h ~ 7 h e 22 h ~ 6 h, fins de semana e feriados, em locais ruidosos/barulhentos acima de 90 dB, em algumas empresas não recebi adicional de periculosidade e nem insalubridade, mesmo tendo atuando por mais de seis horas nessas condições consigo me aposentar em 2020 ? Caso tenha todos os LTCAT E PPP ? Ou simplesmente apresentando CTPS, contra cheques e crachás ? Já que algumas empresas não existem mais ?

    • Oi Jorge, recomendo que você procure um advogado especializado em direito do trabalho, assim você terá mais certeza sobre os seus direitos e o que pode fazer para se aposentar

  5. uma escala de 5 por 1 de 12 horas é permitido? e outra as folga é só virar. exemplo trabalhei 5 dias chego no quinto dia ai so viro e pego no proximo dia a noite. isso é certo? e trabalho com produtos perigosos e nao recebo periculosidade o q faco?

    • Oi Carlos, vamos por partes:
      1 – a escala de trabalho de 5 por 1 pode ser permitida sim, a depender das regras, intervalos, folgas e o que foi estabelecido em contrato de trabalho
      2 – sobre sair em um dia, virar a noite e já voltar, mais uma vez, vai depender de regras que variam de acordo com sua função, sindicatos, etc
      3 – o trabalho com periculosidade é definido, você precisa entender se o seu trabalho especificamente se enquadra

  6. tenho 5 anos de empresa trabalhando como eletricista executando manutenção em substacao 13.8. etc e mesmo a sim nao recebo pericolosidade o que devo faze pra receber a pericolosidade?

    • Oi Josivan, é necessário entender porque o RH da sua empresa não considera sua atividade como perigosa. Peça explicações para entender melhor a situação e ver se você tem direito ao adicional ou não.

  7. Rafael,eu trabalhei 23 anos na General Motors,ganhei o processo como empilhadeirista e a Gm esta querendo fazer um acordo, estou achando pouco o que ela oferece vc pode fazer uma base de cálculos pra eu poder decidir junto com minha Advogada?

  8. Boa noite Rafael, por gentileza gostaria de saber se eu já posso me aposentar, eu tenho 51 anos 28 anos de contribuição e ainda trabalho em uma área de gerenciamento total de Resíduos percebendo a 8 anos periculosidade no contra cheque.

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