World Café – Como gerar insights sobre temas que importam

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World Cafe LUZ Geracao empreendedora

“World Café é o processo que uso quando queremos descobrir o que o coletivo sabe.” –

Chris Corrigan

Algumas alternativas interessantes estão revolucionando a forma como realizamos eventos hoje. O nome bonito para “alternativas” é “tecnologias sociais”. Hoje vim falar de World Café, que é uma tecnologia que nos ajuda muito na hora de gerar insights sobre questões importantes.

Mas antes de qualquer evolução sobre o tema, vale ressaltar um fato interessante. O mais natural seria eu escrever tanto no título do post quanto ali em cima “gerar insights sobre problemas”, certo? Esse é o paradigma atual: resolver problemas. Está na hora de pensarmos diferente! O foco aqui é descobrir e gerar conhecimento coletivo, em abraçar um mistério, não partir de um problema. Problemas tem variáveis definidas, nós achamos que sabemos mais dele do que de fato sabemos e normalmente são parte de um problema maior que não vemos. Acredite, isso faz uma enorme diferença.

O que é o World Café?

world cafe - luz geracao empreendedora1

Segundo o pessoal da Cocriar, que manja bastante do assunto, “O Word Café é um processo participativo aparentemente simples que tem uma fenomenal capacidade de trabalhar a diversidade e complexidade no grupo, fazendo emergir a inteligência coletiva.

Trata-se de um processo de diálogo em grupos, que pode levar de algumas horas a alguns dias, nos quais participantes se dividem em diversas mesas, e conversam em torno de uma pergunta central. O processo é organizado de forma que as pessoas circulem entre os diversos grupos e conversas, conectando e polinizando as idéias, tornando visível a inteligência e a sabedoria do coletivo.”

Como o World Café funciona na prática?

Na prática, temos várias mesas (como na foto acima) com todas as pessoas alocadas em algum lugar e sempre gerando conhecimento em cima de uma pergunta. Ex: Qual o cenário atual da nossa empresa?

As rodadas podem durar 20, 30 minutos, e, quando terminam, os participantes mudam de mesa, ficando apenas um sentado com o objetivo de passar as informações para os próximos que sentarem. Essas rodadas se repetem, mudando ou não a pergunta e… pronto. Simples assim (tá, mentira, não é tão simples assim mas é quase isso!)

O principal valor, inclusive ressaltado pela Cocriar, é a conexão e polinização de ideias. Uma pessoa no grupo A teve uma ideia boa, acabou o tempo, uma dessas pessoas vai cair no grupo F e ver que a ideia da última rodada cai como uma luva para uma linha de pensamento que estava fluindo nesse grupo. E é assim que o conhecimento vai crescendo.

Ao final das X rodadas/perguntas (a serem definidas pelo anfitrião), todos se agrupam em um local e compartilham o que foi gerado de conhecimento em cada mesa. Esse processo de coleta e registro de informações é chamado de colheita… Vamos embelezar o post?! Se liga nessas fotos de colheitas (informação registrada das dinâmicas) que participei nos últimos tempos…

Colheita World Café - LUZ Geração Empreendedora

World Café art of hosting Rio

“Facilita para mim. Quero começar!”

Claro! Vamos a um passo a passo cartesiano para você usar como referência sempre que precisar:

1. Entenda o propósito do todo. Se você quer garantir um bom World Café, garanta que você entende o por quê das pessoas estarem ali e o que deve ser atingido. Ficar rodando em mesinha dialogando sobre inutilidades não gera valor para ninguém. A partir disso você saberá que tipo de envolvimento você terá, quais perguntas serão propostas, quantos rounds serão, qual a forma de registrar o conhecimento gerado (colheita), etc.

2. Crie um espaço hospitaleiro, pois tudo depende de quanto as pessoas querem contribuir. Quanto elas querem contribuir depende de como nós, como anfitriões, conseguimos fazê-las se sentirem acolhidas e confortáveis. Há exemplos interessantes, se você quiser saber, comente que eu compartilho! 🙂

3. Explore perguntas que importam. Já falei sobre isso, mas vale entrar na to-do. Cara, se você fizer uma pergunta que o pessoal vai interpretar totalmente errado, adeus World Café.

4. Encoraje a contribuição de todos. A principal premissa do World Café é que o conhecimento e sabedoria que precisamos estão presentes e acessíveis.

5. Conecte perspectivas diferentes. Isto é, faça com que os grupos mais diversos interajam entre si. Se você tem personas diferentes (ex: moradores de comunidade, iniciativas privadas, servidores públicos, empreendedores sociais), faça (de preferência de uma maneira sutil) com que cada grupo tenha atores de cada uma dessas áreas. A divergência de backgrounds e objetivos é importantíssima!

6. Identifique padrões e insights. O objetivo no final é agregar valor a um tema central, correto? Portanto é muito importante que padrões e insights sejam identificados, para que o valor final seja gerado.

7. Compartilhe as descobertas. O momento mais interessante (e emocionante, eu diria) é compartilhar tudo o que foi aprendido. Veja essa cena, que emocionante!

Final da Colheita

E veja essa colheita que encontrei online:

Colheita boa

Conclusão:

World café é uma tecnologia social a ser utilizada. Ela pode ser uma bela forma de iniciar alguns grandes processos da sua empresa, como o planejamento estratégico. Pode ser utilizado também antes de empreender, pensando em como resolver alguns problemas da sociedade. Ou para resolver conflitos e melhorar as condições de convivência em uma empresa.

13 COMENTÁRIOS

  1. Oi Daniele, não fui eu quem escreveu o post, mas já tive a oportunidade de participar de 2 World Cafés. Na minha opinião, é uma metodologia mais focada para grandes grupos mesmo, pois permite uma grande troca, sendo menos eficaz com grupos pequenos como o seu. De qualquer forma, sempre podemos dar um jeitinho para aproveitar o que tem de bom do método e eu seguiria 2 caminhos. O que eu mais aconselho é fazer um grupo só, mas aproveitando as coisas mais legais do World Café, como o passo a passo que o Lito listou (ambiente bacana, perguntas preparadas, participação de todos e troca). Outra opção é fazer 2 grupelhos e explorar a troca entre os grupos depois, lembrando sempre de fazer tudo com o apoio de cartazes e de forma bem visual, para estimular a criatividade de todos. Espero ter ajudado

  2. Excelente post! Você tem alguma dica para fazer o mesmo tipo de discussão com um grupo pequeno? De, no máximo, 6 pessoas? Digamos que seria um World Cafezinho, rsrs. Obrigada.

  3. Fala Raphael, pode deixar que eu contarei com você sim! Fique ligado!!

    Abs,

  4. Espetacular essa tecnológia, quando acontecer esse evento me chama quero participar e se precisar de braço pode contar comigo.

    Abs

  5. Oba! Pode deixar, em breve(íssimo) entrarei em contato!!!

    Fico muito feliz mesmo 🙂

    Bjs,

  6. Oi Guilherme!
    A∂orei a ideia do do World Café e tenho muito interesse em participar. Se precisar de colaboradores também pode contar comigo.
    Estou bem nessa fase de buscar no que empreender e seus porquês.
    At. Giselle

  7. Fala Gustavo!

    Valeu!!

    Estamos juntos nessa, precisando de um facilitador (em eterna formação), sabe onde encontrar 😉

    Abs,

  8. Fala Antonio,

    ÓÓÓÓTIMA sugestão! Será interessantíssimo trazer pais, professores, diretores e alunos de escola para conversar sobre isso. Acho que mais rico do que só trazer alunos (que naturalmente ficarão fazendo fofoca), devemos trazer todas as partes para interagirem e gerarem valor.

    Vou pensar com um carinho enorme nisso e te envio um email em breve (sobre o outro evento tb)!

    Abs,

  9. Oi Jozilda,

    Boa tarde, será um prazer compartilhar um exemplo! Havia um rio nos EUA que estava ficando contaminado e o problema era que fazendeiros, empresários, caçadores e outros usavam-no para diferentes fins. É claro que durante anos uma parte botou a culpa na outra, adiando qualquer tipo de solução até que a situação ficou crítica e os ambientalistas que queriam resolver o problema chamaram facilitadores para fazer um world café.

    Óbvio que o clima não seria bom, portanto foi proposto um jantar antes do world café começar. Neste, optaram por separar os diferentes papéis (ambientalista, fazendeiro, etc) sem eles saberem e o jantar foi servido à francesa (é assim que fala quando a comida é toda posta na mesa?). Isso forçou que eles colaborassem, criassem uma relação de troca ganha-ganha desde o início.

    Quando o world café começou, o clima já era de ajuda mútua ao invés de “vamos ver quem vai sair ganhando hoje”.

    Achei esse exemplo ótimo, pois mostra que o facilitador aparecer normalmente não é bom! O facilitador deve facilitar a interação entre as partes, e se elas conseguem se dar bem sem a intervenção dele, melhor ainda!

    Esse exemplo valeu?

    Obrigado pelo comentário!

    Bjs,

  10. Muito interessante a metodologia,o World Café ajudaria os diversos setores da sociedade de uma forma democrática e efetiva. Irá me ajudar no movimento social que estou iniciando em minha cidade. Lito, parabéns pela matéria e equipe, vamos (des)organizar!

  11. Fecho Lito!
    Deixando a sugestão, seria interessante ver o resultado de uma interação dessas com alunos de colégios sobre os atuais métodos de ensino. O que você acha?

  12. Venho me interessando pelo assunto e este artigo veio complementar o aprendizado. Gostaria se pudesse compartilhar exemplos para criar um espaço acolhedor para o grupo.
    Também tenho interesse de vivenciar esta forma de gerar novas ideias.

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