As 5 Forças COLABORATIVAS de Borges

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Há pouco tempo, ao ouvir pela milésima vez sobre as 5 Forças Competitivas de Porter, senti algo diferente da minha habitual indiferença pelo tema. Pela primeira vez, percebi o quão negativo o termo competição é, e quão desatualizado esse clima de paranóia mercadológica e a competição estilo Wall Street está com o mundo moderno. Portanto, me permiti pensar e sugerir algo digamos….complementar!

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CONHEÇA, ENTÃO, AS 5 FORÇAS COLABORATIVAS DE BORGES

Hoje, no mundo inundado de redes e colaborativismo, ouvimos todo dia em coopetição, co-criação, co-working e milhões de outras oportunidades de atividades em conjunto. Isso é uma mudança de mentalidade fortíssima, substituindo a velha noção de competitividade por aniquilação do outro por uma nova perspectiva de um mundo de oportunidade conjuntas. Sendo assim, por quê não termos uma nova maneira de analisar indústrias e empresas com o foco em oportunidades conjuntas e não mais com uma visão unicamente bélica sobre as relações de negócios?

5 Forças Colaborativas de Borges

1) COMO PODEMOS AJUDAR NOSSOS FORNECEDORES A CRESCEREM CONOSCO?

mercadona

Nossos fornecedores não são inimigos com os quais precisamos barganhar até o limite de cada lado. Esqueçam o cabo de guerra! Com um pouco de empatia, podemos desenvolver serviços e produtos em conjunto que beneficiam os dois lados e impulsionam ambos os negócios para frente. Um caso famoso no mundo empresarial é da cadeia de supermercados Mercadona que obteve forte crescimento, mesmo na crise econômica, por se envolver profundamente no processo de seus fornecedores e ajudá-los a diminuir seus custos logísticos que foram essenciais na sua estratégia de baixo custo!

2) COMO PODEMOS NOS JUNTAR COM NOSSOS CONCORRENTES PARA DOMINAR NOSSO SEGMENTO?

perdigão e sadia

As empresas que fornecem serviços e produtos similares ao nosso são também nossos maiores parceiros na luta pela sobrevivência. Eventualmente, existe uma fuga de clientes, mas no cenário geral, se você está em um mercado novo, eles ajudam a gerar credibilidade ao segmento e, no final do dia, a união com nossos maiores concorrentes podem possibilitar o domínio completo de nosso segmento. No Brasil, vemos isso acontecendo cada vez mais com as grandes empresas com fusões em todo cadeia de supermercado, bancos e, caso que mais me chama atenção, no setor de frios com a Perdigão e Sadia.

3) QUAIS PRODUTOS PODEMOS DESENVOLVER PARA SUBSTITUIR NOSSOS ATUAIS?

evolução apple

Ao invés de ficarmos preocupados com os produtos que os outros podem desenvolver para nos substituir, as empresas devem sair do pedestal e estar constantemente pensando em como elas mesmas podem se substituir. Eu sei que existe uma discussão e críticas fortes, relevantes e corretas em relação à obsolescência programada, mas não quis, por essa razão, fugir do exemplo da Apple. Se formos analisar apenas o lado mercadológico,  a Apple é campeã em fazer seus próprios antigos parecerem uma porcaria e os novos serem uma necessidade. Existe milhões de outros casos menos polêmicos, mas não tem tanta graça! 🙂 Quem curte mesmo essa questão da apple, sugiro ver esse quadrinho da The Oat Meal.

4) QUAIS NOVAS EMPRESAS PODEMOS AJUDAR A CRIAR PARA FORTALECER O NOSSO MERCADO?

wufoo e surveymonkey

Essa é uma noção também bastante nova para mim, mas, de fato, vejo como uma grande tendência e algo que devemos estar abertos a fazer. O caso que mais me chamou atenção foi a spin-off da SurveyMonkey, pioneira e uma das maiores empresas até hoje de pesquisas on-line. Mesmo com o sucesso inicial, eles perceberam que existiam falhas no sistema atual e que a melhor solução era criar uma outra empresa de pesquisa chamada Wufoo para suprir essa necessidade.

5) COMO PODEMOS ENVOLVER OS CLIENTES EM NOSSOS PROCESSOS PARA INOVAR E REDUZIR CUSTOS?

people supermarket

Essa, na minha opinião, é a sacada mais genial que o mercado atual está tendo e uma das grandes tendências para a próxima década. Eu vejo isso mais fortemente na questão da geração de conteúdo com o aumento imenso de sistemas de avaliação de estabelecimentos (tipo Yelp) e aplicativos de geo-localização (tipo Foursquare), mas existem empresas que vão mais longe! O People Supermarket na Inglaterra é de cair o queixo com a sua política de dar descontos para clientes que também trabalham em tempo parcial no estabelecimento, exercendo funções de faxineiros, caixas e tudo mais que é necessário para a operação do local!

E ai, curtiu nossa sugestão? A sua empresa já enxergou alguma oportunidade colaborativa em seu negócio?

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Leandro Borges
Leandro começou a vida profissional prestando consultorias centenas de pequenas empresas em todo o Brasil e foi professor em instituições como SEBRAE, Vale, Souza Cruz, FIRJAN, COPPE e FGV. Hoje, é encantado pelas facilidades que o Excel traz para a gestão empresarial e quer levar essa maravilha para o Brasil e o Mundo!

14 COMENTÁRIOS

  1. . Sobre o fortalecimento dos fornecedores, sempre é válido estudar os casos de consórcios modulares. E no campo do empreendedorimo social, a Avina e a Ashoka são grandes referências (confirmar com o Lito).

    . “Envolver Clientes” é um termo muito melhor que “Usar Clientes”.

    . Como sempre te falo, a NatGeo e a Discovery Channel nos ensinam muito. “Relações Interespecíficas Harmônicas” são aulas de estratégia. Têm muita relação com as Forças de Borges. Simbiose, protocooperação, comensalismo… relembre lá na Wikipedia e veja se concorda.

    . Grande abraço.

  2. Grande Velho!

    Tinha que ser você o primeiro a comentar em um post destes!

    1) Realmente, no framework a decisão do vocabulário acabou pesando para o lado espacial do que cabia no meu quadrado. haha De todo modo, alguns dos termos utilizados podem mesmo ser melhoras. Acho que ainda tenho um ranço maquiavélico dos tempos de Tibia (mas isso é outra história).

    2) Eu cheguei a pensar nas relações ecológicas, em especial, a simbiótica. No entanto, existem relações predatórias também que estão mais para o lado do Porter do que pro Borges. De todo modo, realmente são uma aula, dada inicialmente por você.

    Grande abraço!

  3. Genial Leandro! Muito obrigado pela divulgação dessas ideias e exemplos, estou concluindo o curso de graduação de extensão de Empreendedorismo e inovação da UFF e vou levar esse texto para debate!
    Ubuntu, abraços e sorrisos!

  4. Bom dia Amigo. Gostei muito das suas ideias. Tenho alguns materiais que falam sobre Economia Solidária e encontrei em seu modelo uma excelente forma de rediscutir Porter para esse tipo de público. Por me chamar Álvaro Leandro Borges, também achei interessante descobrir o nome do Autor dessa ideia. Parabéns!

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